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Eu amo ambientes bem decorados e acho que um bom profissional pode transformar qualquer espelunca em um ambiente charmoso e aconchegante. Porém, temos profissionais no mercado tão bons de ambientes internos quanto de projeto de arquitetura – e o resultado normalmente é de cair o queixo. Um desses profissionais, na minha opinião é o Marcio Kogan. Os projetos desse arquiteto servem de referência para muitos profissionais e normalmente as linguagens, materiais e formas que ele escolhe acabam “ditando moda”. O projeto desse post é conhecido como Casa 6 e eu o escolhi porque é raro vermos tantas fotos dos ambientes internos, que são igualmente incríveis.

     

O cliente queria um espaço coberto exterior para ser utilizado na vida cotidiana e este deveria organizar a vida social da casa. E assim foi concebido o projeto – formado por duas “caixas” de concreto posicionadas perpendicularmente, a casa volta-se toda para a piscina do jardim: o living, a área externa e as duas varandas contemplam a vista e se comunicam entre si. No segundo andar fica a área íntima e o terceiro pavimento, foi feito para ser um único ambiente de lazer para a família, contando com um grande deck que rodeia todo esse ambiente e permite apreciar o jardim e a vista lá de cima. Outra “caixa” isolada abriga a academia da família e o home office.

 

   

No mobiliário foram escolhidas peças de designers consagrados. Diversas peças de Sérgio Rodrigues, como a confortável poltrona Mole, deixam a casa ainda mais brasileira. Destaque também para iluminãção – para os pendentes de Tom Dixon na mesa de jantar e as três  luminárias Bossa, na cozinha.

 

Depois de apresentar o muxarabi pra vocês nesse post, resolvi falar do parente nacional, o cobogó, que nada mais é que um elemento vazado de nome próprio. O nome aliás, veio através do sobrenome dos três engenheiros de Recife que os desenvolveram: Amadeu Oliveira COimbra, Ernest August BOeckmann e Antônio de GÓis, isso lá em 1929. Os modelos mais comuns são os feitos em cimento e cerâmica, mas encontramos em vidro, mármore e metal.

Eles foram projetados para fechamento ou divisão de ambientes permitindo que neles entrassem luz e ventilação, mas mantendo a privacidade do interior. Na década de 50 eles foram muito utilizados, inclusive em projetos de Niemeyer e Lúcio Costa, e voltam à moda agora em obras contemporâneas de arquitetos brasileiros, ou não.

Esse projeto incrível é de um restaurante na Cidade do México chamado La Nonna, do escritório mexicano Cherem Serrano em parceria com DMG arquitetos. Buscando aproveitar ao máximo os 200 metros quadrados disponíveis o bar ficou centralizado, liberando espaço para mesas e circulação e em todos os lados podemos ver o cobogó – até no teto!

 

O escritório brasiliense Domo Arquitetura utilizou o material em duas mostras. Em 2008 projetaram o Pavilhão Patchwork, uma galeria de arte que misturava diferentes tipos de elementos vazados aleatoriamente com a intenção de criar um fundo opaco e translúcido para as telas que ficariam expostas.

 

Em 2010, aplicou o material, com desenho mais moderno e particular, na fachada da Casa Cor Brasília que homenageava os 50 anos da capital.

 

Nesse projeto do arquiteto Marcio Kogan, chamado de Casa Cobogó, o elemento é personagem central do projeto. Além disso, é assinado pelo escultor austríaco Erwin Hauer, grão-mestre dos cobogós, autor de inúmeros módulos vazados e patenteados.